Acabo de ler um dos livros mais marcantes em minha vida depois de Ana Karenina de Tolstoy.
O idiota – dostoyevsky. Na verdade jah li a algumas semanas atras, mas precisava escrever um pouco sobre.
Obra do romancista russo mais aclamado por “Irmaos Karamazov”, sua influencia do pensamento existencialista me atingiu da maneira desejada, ou nao desejada. O titulo eh sugestivo, Idiota! Pq? Porque transmite a vida de um principe, que ao ser tao bondoso e nao possuir a malicia e a vantagem do ser humano perante o outro se torna um idiota. Um idiota da sociedade. Um personagem surreal pela bondade e ingenuidade. Um personagem que nunca vemos em ninguem que conhecemos….apenas rastros. Os motivos de alienacao humana sao trazidos ao profundo conhecimento pelo idiota, e sua correspondente sociedade. Comecei a me sentir um pouco desiludida com ele ao fim, gostaria que um ser bonissimo como o principe pudesse se entender com o mundo e pessoas. Acabou mal.
Vivendo no estrageiro, como eu vivo, a alguns anos jah….me faz pensar como esses personagens que leio me influenciam…e acabo por pensar que ja eh tempo de sermos sensatos. Humanos sensatos. Tudo isso, essa vida no estrangeiro, e toda essa America tao gabada, mas tudo…as vezes nao passa de uma fantasia…e todos nos no estrangeiro, somos fantasia…e nada mais. Porem, se voltar para casa…seria fantasia de certa forma….uma fantasia pertencente a uma outra historia. Chego a conclusao…que somos todos parte dessa fantasia. Vivemos por esta. E esta vive por nos. Se deixarmos de fantasiar…deixamos de viver.
Comecei minha carreira ao lado de uma russa, uma indian, um polish e uma japonesa.
Suneri eh o atelier que trabalho por alguns meses e ele aparentemente gostam de mim. Aproveito o estudio pra produzir minhas proprias criacoes qdo tenho tempo, ou uso minha velha maquina em casa. Estou adorando trabalhar nesse ambiente internacional e dinamico. Todos sao interessantes…e vendemos oq ha de melhor no fashion de Amsterdam, NY, India, Koreia e Brasil. Se eu cai nesse ambiente, nao foi a toa. Assim como meu emprego de estilista para Proxyapparel nao foi a toa. Assim como as possibilidades nao sao a toa.
Temos sempre opcoes. Ouvi isso do meu pai. Da minha mae. E hoje do Phil. Ele me apoia de todas a maneiras possiveis, e acredita nos meus ideais. Acredita que nada do que me acontece eh por acaso. E assim eu sinto…que isso eh bom, muito bom. Desisti de aprofundar minha curiosidade no mundo e apenas encarar com os olhos que possuo. Me aprofundo na beleza e nas pessoas, o restante aproveito.
Estou sentindo melhor com as minhas decisoes, e indecisoes. Todavia, me peco um tanto mais de paciencia para com o mundo e a alma, para assim conquistar oq desejo. Nao faco nada alem de pensar agora, pensar nas possibilidades, nos sonhos, na vida. Esses pensamento fluem e me confundem. Quero por um momento apenas parar de pensar.
Que confundem com a vida alheia. Como ser de Shakespeare. Como ser de Marco. Como ser mulher. no meio de marco.
Hoje foi um dia de mta pesquisa em fabricas de tecido. Eu estou trabalhando num projeto pra um clip musical pra minha talentosa amiga Katie Chastain. Ela eh cantora e lancara um clipe em um mes. E pra minha surpresa e felicidade fui contratada pra criar um vestido especial para o video. Enfim, detalhes serao possiveis atraves do produto pronto…mas nos fomos as compras e tivemos otmos resultados. Tulles e mais tulles. Rendas e eh claro mto mas mto algodao. Estou anciosa para ver o resultado desse novo projeto.
Quero fazer um vestido a altura de Katie e ao mesmo tempo num clima romantizado e dramatico. Pra ajudar, vai ser o clipe da minha musica predileta, Snowshow….traduzido “Show de neve”. Baseado na peca russa que viaja o mundo com seus palhacos na neve. Vale a pena ver se tiver um tempinho no youtube. E eh claro, assim que o vide-clip sair…coloco ele aqui pra vcs.
[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.
Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”
Sabemos tao pouco da vida. pouquissimo…e muitos oq fazem dela? Dissipar…a toa. Vivendo assaz preguicosamente, apaticamente…nenhum deles sequer merecendo vive-la. Quando Colombo ainda estava por descobrir essas terras….felicidade para ele foram aqueles tres dias antes da descoberta…desiludido.
A minha felicidade….eh a minha desilusao. Com aquilo que ainda esta por ser descoberto. E nao a descoberta em si.
Meus dias sao um cegueira diante dos olhos sadios da minha juventude. Uma vida que flutua de uma maneira sonhada.
Ontem, fiz o favor de apresentar Miriam ao Mitch. Passamos uma tarde juntos. E o assunto foi mulher. Felicidade tbm. Mas discutindo a psicologia feminina…Mitch se vira e fala:
“Mulheres nunca estarao satisfeitas. Parece que ha sempre algo a mais que esta pode adquirir…emocionalmente e fisicamente e que o mundo deixa de oferecer. O homem, se satisfaz com extrema facilidade. Nao eh preciso muito..”
Isso me bateu na cabeca dizendo: “Sera que nunca ficarei satisfeita com absolutamente nada?” Muitas vezes me pego de birra com Phil por bobagens. Sabendo, que ele eh um homem absolutamente lindo em todas as suas acoes…eu me pego ainda de birraca. Sempre fui assim com tudo. Pais e familia sabem oq eu digo..e essa birra das coisas do mundo….eh puramente insatisfacao. E isso, eu mudei muito, mas ainda existem vestigios. O fato eh, Mitch me abre os olhos…e tento seguir mais com a situacao natural das coisas…como meu emprego de estilista (pra mim ainda parece fantasia da minha cabeca), como um namorado que compos uma musica pra mim, como uma cidade que me encanta pela beleza, uma galeria oferecendo espaco para as minhas pinturas, um amigo que me deixa ir pintar no telhado com uma visao deslumbrante e amigos que possuem talentos inigualaveis. O que mais eu poderia querer? O que Tolstoy quiz indicar com a historia de Anna Karenina na minha mente? Satisfacao?…Pois eh isso que eu escrevo aqui….pra sempre que precisar me lembrar dessa vida valiosa que estou vivendo….eu me volte aqui…e leia o quanto isso me satisfaz.
Dia dos Pais. Domingo….acordei cedo pra assistir o jogo do Brazil nas Olimpiadas…eh o unico momento “brasileiro” que vivo nessa terra. E Phil estava comigo. Ele adora futebol…e eh claro…nao reclamo. Brazil ganhou de 5×0 contra Nova Zelandia. Bem…afinal..era Nova Zelandia!
Apos o jogo…Phil comecou a preparar meu cafe da manha, e eu liguei pro meu paizao! E eh por isso, que me sento nesse computador nesse momento pra escrever. Meu pai merece esse blog. Alias, merece alem do que eu posso oferecer agora. E a ele….eu vivo e sinto o meu dia passar.
Meu pai eh um ser humano peculiar. Um pouco excentrico. E admira boa arte. Ele tambem eh um pensador…que por esse motivo…sofre com a falta de escrupulos no mundo. Ele sofre em ver ignorancia, falsidade…hipocrisia. Existem pessoas que sofrem de fome, de tristeza, de pobreza, de solidao…ele sofre por amor ao ser humano. ..Chegava a acordar duas.,..tres horas da madrugada soh pra atender uma ligacao de estranhos pedindo socorro…no meio da madrugada. Esses foram os anos em que trabalhava como assistente da sociedade…e esse eh o papel que ocupa ateh hj. E eternamente. Ele se desincumbia desse bom trabalho com a maior devocao … e me ensinou a fazer o mesmo. Porque mesmo sofrendo…ele eh feliz em mover uma peca sequer de um quebra-cabeca…ele eh feliz em poder ter saude e ajudar. Sem pedir nada em troca.
Um tema central da filosofia de Nietzsche diz que devemos reavaliar nossos valores..de todos os valores…ele questiona pessoas pela sua moral, posicao e sentidos. Especialmente moralidade crista, tao duvidosa nos dias de hoje. Meu pai….foi meu Nietzsche quando crescia e me encantava com o mundo a minha volta…me fez questionar desde pequena os meus valores, as minhas acoes, os meus erros e acertos….que tipo de vida eu estou vivendo?! Foi assim e continua sendo assim que eu vivo…me questionando…e mesmo estando tao distante desse pai de valores eu sinto ele do meu lado…me fazendo questionar. Se todos tivessem pais como o meu, que realizam e vivem de respostas morais pra vida : “Pois se esta vivo que raio faz com tamanho poder que eh o da vida? E de quem eh a culpa se o estupor nao compreende isso?”… ele diz.
Hoje, vivo a milhares de milhas distante, por uma escolha, claro, tudo eh uma escolha…e se me perguntam o porque…afinal, porque deixar tudo, e um ser humano como meu pai…e minha mae…e meu irmao que um dia tbm sera pai, seres humanos que me emocionam de tanto valor,….a resposta eu ainda nao tenho….mas me questiono todos os dias de minha vida.
Amo vc meu pai. E o respeito e o admiro como ninguem mais. Obrigada meu lindao!
Todas as historias que estou a contar parecem me levar a duas categorias. Uma eh a da morte. A outra da vida. essa historia sera a passagem da minha mente pela morte, onde quis que essa se aproximasse, secretamente.
O fato eh, qse toda a vida, nos, seres humanos, pendemos para uma categoria. Podemos viver intensamente a vida sem se preocupar com a morte, ou podemos viver preocupados com a mesma a ponto de se jogar a ela. Eu posso dizer que passei pelas duas categorias, e agora vivo uma terceira que falarei sobre se for paciente. Nos meus 20 e poucos anos de vida nunca vi ou senti um espirito..que muitos dizem fantasmas. Confesso que jah tentei..mas nada, Nada! Mas jah teve pessoas que juraram ve-los por perto. O fantasma da minha vida estava dentro de mim. Eu sei..nao faco o menor sentido. O espirito do qual falo eh o sinal. Estou a explicar…
Graduei na High school nos meus dois anos de experiencia em Gringolandia (minha segunda visita a essa terrinha de gringos), voltando a cidade natal, me quebrei em pedacos irregulares. Pedi a Deus um sinal. Mas nao ha sinal algum que lhe indique o caminho. E eu ri de mim mesma. Ouvi a voz da minha consciencia e ri mais ainda. Beatas dizem que Deus dah o sinal. Que sinal?! Nao acredito que beatas estejam erradas, bom pra elas se essas entendem melhor do que eu, mas pra mim…sao intoleraveis qdo dizem…Fui tocada! Oh…fui preenchida com o espirito. Sabe, isso ofende e chega a ser inaudito. Eh tudo psicologico. E vou explicar. Em presenca de um padre e uma missa…estamos com os corpos abertos a qualquer palavra de conforto. Entao choramos…pq eh a hora de se entregar a fe! Fe…eh tudo que precisamos…e amor. Conheci pessoas que a um passo de distancia da Igreja jah falavam do assunto alheio…isso nao eh amor. Precisam eh de amor…nao de uma biblia nos bracos e um sinal. A vida eh claro eh favorecida aos olhares do grande Mestre, de Deus por assim dizendo…mas o sinal nao existe…somos nos que temos que busca-lo…e conquista-lo. Entende?. Mexa-se. Colombo morreu sem quase ter visto o que encontrou, e sem saber ao certo o que havia descoberto. Eh a vida que vale, que importa, a vida e nada mais, o processo, a maneira de descobrir…a tarefa perpetua.
Nao importa. “There ain’t no sign”.
Uns dias eu nao sinto falta de familia, outros ateh demais.
Uns dias eu penso que vou me sentir melhor, se tentar intensamente.
Outros, nunca ajuda.
Se buscar, todos os seus pensamentos, bons e ruins, e dos quais talvez nem se lembre mais…crescerao e tomarao forma, por fim, apto a propagar um poderoso feito..legar ao mundo algum veemente pensamento.
Falei muito! ateh demais!
vou me entregar ao fim de semana agora…e escrevo mais na Segunda.
Hoje Miriam Moser e eu tivemos uma tarde interessante. Miriam esta a procura de emprego, e lugar pra morar. Ela se mudou de Chicago, eh americana, filha e irma mais velha de oito. Familia grande, Miriam eh adoravel, extremamente inteligente…e por algum motivo ela gosta de mim. Ficamos amiga atraves de Chris, um amigo de mais de um ano, mora com Phil, meu namorado. Chris e Miriam namoraram por duas semanas. Nao deu certo, mas quem sabe ainda vai dar. Eu espero.
Enfim, so quero escrever que tivemos uma tarde que nao tenho a algum tempo. De mulher pra mulher descarregamos nossas tensoes. Ela eh formada em Literatura Inglesa pela faculdade de Gordon em Boston. Mas sua simplicidade de espirito me fascina.
Nossa primeira parada, comer. Tivemos um super cafe da manha as 2 horas da tarde. Brunch. Pois eh…eu nao havia tido nenhuma refeicao ateh entao, pelo menos nao pulei o cafe da manha. Omelete, batata e torrada, com cafe, eh claro. Saimos da Charles st e fomos andar pela Newbury. Conversamos, paramos numa galeria de artes e andamos em lojas de roupas usadas ateh nao querer mais falando de moda, arte, musica e vida…a conversa rendia…nunca respiramos nem sequer por 2 min seguidos sem uma palavra. Passamos pelo parque e finalmente paramos na minha loja predileta em Boston. A loja de pianos. Como hj eu jah falei sobre o pianista….decidi falar de Miriam, pq ao entrarmos na loja, ela se senta, e comeca a tocar com extrema sensibilidade que me choca. Belas maos que escorregam pelas teclas como que se estivessem flutuando. Ficamos na loja por uns 45 min, ouvindo uma outra senhora tocar, ela estava ajustando o piano, e saimos. Andamos ateh a Livraria e foi quando o assunto intensificou. A livraria do parque eh imensa. Posso encontrar livros de qualquer natureza e origem. Infindos, velhos, usados e novos. Olhamos na sessao de poesia, e ela me sugeriu alguns poetas ingleses, dos quais nao me lembro nomes…mas pretendo ler futuramente. Poesia nao eh o meu forte..principalmente qdo nao esta relacionado a minha cultura brasileira. Apesar de amar musica com intensidade…e musica eh poesia…mas de uma maneira mais livre. Falamos de linguas…contei a ela como estou aprendendo o meu frances…e achamos alguns livros em frances. Procurei em portugues, achei um…Filosofia (hum…nao, chega de filosofia por um tempo..Dostoyevsky eh o bastante). Depois fomos na sessao de livros relacionados a mulher, feministas e sexuais. Passamos uma hora contemplando as fases feministas de decadas passadas. Olhando fotos ilarias e sarcasticas. A livraria possue sofas confortantes, onde nos jogamos pelo fato dos pes estarem aos calos de tanto andarmos pelas ruelas de Boston. Achei a biografia de Tolstoy, meu atual heroi da literatura, eh a razao de eu me interessar pela vida humana. Uma hora eu escrevo um blog somente a Tolstoy. Ficamos ateh o trem estar proximo, e saimos….com ares de satisfacao.
Foi um dia chuvoso, novamente….meus planos de ir pintar no telhado do Uncle Shoe falharam…mas Miriam me forneceu uma nova inspiracao pra pintura. E espero te-las constantemente.
Estou em casa trabalhando e tirei uma folga de 20 min pra escrever esse blog, pq acredito que seja importante lembrar disso mais tarde. Na volta pelo trem abri meu caderno de notas e escrevi:
“Nao esquecam que ainda tenho somente 22 anos, mas que viver de modo por que vivi durante esses dois anos significa o mesmo que ja estar de cabelos grisalhos”…
As vezes eu rio…e digo que isso tudo nao passa de contos de fadas…De fato, a mim mesma, cresci contanto historias da carochinha, enchendo minhas noites com contos nebulosos. Ainda hoje nao os esqueci…mas estou aprendendo a viver.
Miriam tem um blog…eu ate o escreveria aqui…mas eh em ingles..e acredito que ninguem iria entender. Entao aqui esta um video ..e uma musica que ela escreveu em homenagem ao sofa verde!