Crônicas de Amanda

Stories in my first language…

Pudor infantil

Foto com biquinho. Check. Olhando pro espelho com a digital na mao. Check. Expondo a lingua. Check. Se maquiando ateh as unhas aos 9 anos. Check. 12? ah….vou tirar umas fotos de biquini entao.

Afastada de todo esse sentimentalismo lacrimoso das mulheres, garotas com idade pra estarem brincando na rua se fazem passar por adultas e falam de sexo. Talvez a falta do cunho social. Talvez a falta de mae pra dar conselhos. Talvez a falta do que fazer. Pois pra mim, eh a falta de imaginacao infantil e criatividade. Elas seguem uma lei chamada: unidas venceremos. Porem, unidas em algo bastante futil. Nao gostaria de levar isso a uma relacao mais profunda. Apenas retratar um pouco essa questao social, me tira o peso da agonia que meus olhos acabam de ver. Se repete com muitas garotas de mesma idade. E nao encontro mais a infancia estampada, porem fisicamente presente. Me lembro de Macabea de Clarice, e sua ingenuidade. Macabea nunca teve a oportunidade de ter uma outra perspectiva. Talvez poderiamos dar uma chance a ela se infiltrar nesse meio infantil do nosso seculo. O que seria de Macabea tadinha. So repetia o que ouvia dos outros, principalmente do radio relogio, que ensinava uma “cultura” inutil. Tinha que agir assim mesmo, porque ela era um ser excluido da sociedade, e esta, nao daria margem ao absurdo social que hoje encontramos.
Criancas deveriam ser margem para que fossem alguem na vida.

Quando lemos um livro, muitas vezes rimos dos personagens, choramos, sentimos…oramos. Gostaria que isso fosse um livro, talvez um livro moderno…que pudesse levar o titulo “Lolitas (plural) II” … tenho certeza que Nabokov ficaria encantado com a facilidade da internet. E faria dessas doces criaturas um classico.

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Mantenha..

Existem dias que parecem pesar com uma frequencia absurda. E a importancia que esses dias oferecem tbm absurda. As vezes penso nao valer a pena escrever tanto sobre a vida e ao escrever traduzir a mim mesma. Mas em uma conversa com Phil ontem, ele me diz que quando ele esta compondo, escrevendo ou tocando…o mais intimo e profundo de ser quem eh ele consegue tocar. E a verdade eh essa. por isso eu sofro. Sofro em tentar escrever tudo que quero e usar palavras apropriadas. Muitas vezes por pudor aquele que me le. Muitas vezes apenas por pudor a mim mesma. Me lembro que quando crianca, me sentava na velha padaria do meu pai e copiava desenhos em caixas de cereais. Podia passar horas, dias…desenhando caixas de cereais e tiras em quadrinhos. Eu tinha cinco anos. Mas o tempo passou, eu mudei, eu sofri…e conquistei. E hoje, continuo com as caixas de cereais na minha frente….mas nao as copio mais. Eu tento a minha propria. Mas ninguem nunca me disse que seria a tarefa mais dificil que poderia ter. Porem, a mais recompensadora de todas.

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