Crônicas de Amanda

Stories in my first language…

Um segundo

Ela se senta na beira da sacada, onde a luz e a leve brisa morna derrete o pouco que resta da magia e da beleza da neve. E ela decide que o bem…mesmo que a irrite tanto…sobressaiu. Acende mais uma vez o tabaco que cheira seu avô, liga seu i-pod trascorrendo os artistas de A-Z ateh encontrar o som do dia “Hey Jude”….e permanece em silêncio por um tempo até ser resgatada de um buraco de pensamentos pelo carteiro. E pelo fim do Beatles. Não conhecia o avô profundamente. Morto alguns meses antes de descobrir seus sonhos. Que foram deixados em cartas. Há numerosos retratos daquele nativo fornido e alegre.  Fácil imagina’-lo vivo, pois em nenhum retrato ele está posando para o pintor ou para o fotógrafo. Em todos dá a impressão de o terem surpreendido em um gesto espontâneo. Ria com dentes de tubarão, gesticulava ao falar, movimentava-se com a segurança e a petulância de um pirata. Os três filhos deixados nao podiam entender a importância de sua morte. Mas a menina conta e faz a sua história após ser deixada pelo avô vivo e entender o avô morto.

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Passado

Tenho passado dias pensando em quando eu ainda tinha a chance de ser o que eu queria sempre ser. Quando criança facilitamos a realidade com a imaginação. Somos o que pensamos em ser, passando horas refletindo no dia em que receberíamos a tão esperada ovação. De orgulho. De amor. De vida. Ainda quando criança eu me escondia durante horas pra me imaginar num mundo onde tudo era perfeito. Um mundo que me confortava nas horas que eu mais precisava. Hoje eu ainda me escondo. Mas pra imaginar um mundo imperfeito. Onde fica tudo bem se não somos quem querermos ser. Onde fica tudo bem se falarmos de boca cheia. Tudo bem se queremos mais do que nos é dado. Se a música não agrada mais. Se mudamos de caminho. Se olhamos para o outro lado. Existe um mundo para todos nesse mundo.

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A imagem refletida

(…) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade. ” Cecilia Meireles.

Tenho um namorado que cozinha, lava, canta, toca, cria e ainda sobra tempo pra me amar. Tenho uma mãe que o aprecia e entende sem ao menos ter trocado palavras de cortesias. Tenho um irmão que diz tentar ganhar na loteria pra poder me ter de volta e investir no meu sonho. Tenho um pai desconfiado que gosta do namorado mas procura não fazer muitas perguntas, porque estará sempre desconfortável com  idéia de ter criado uma filha que se apaixona por um homem nascido nos EUA. Existem sempre perguntas sobre o namorado: ele toma banho? usa drogas? bebe? é amoroso? é atencioso? …. e acredite, não param aqui. O Americano que conheço tem uma imagem diferente daquale que os latinos fantasiam. Os que conheço são criadores de uma imagem que afeta e afetará as gerações próximas. São pacientes, leitores, honestos, verdadeiros, conhecedores, curiosos, amorosos, não-tão-melado-amantes, artistas, irmão das coisas fugidias…e poetas.

Eu levo uma vida estranha e diferente..mas que não é tão anormal assim. Conheci Colombianas que me ansinaram o valor de um amor estrangeiro. Conheci uma russa casada com um suiço que foi casado com uma indiana. Conheci brasileiros casados com brasileiros que conhecem brasileiros que se apaixonaram nos EUA.

Já me perguntaram o motivo da minha ida. Não foi por loucura, não foi por uma vida melhor, não foi por uma chance, não por fuga. Eu sempre quis ser uma pessoa que não possui pessoas. Eu precisava me abandonar de pessoas pra poder entender a teoria sobre quem eu era. E eu virei uma pessoa sem pessoas. Mas acabei conhecendo pessoas, namorando pessoas, vivendo pessoas, amando pessoas, entendendo pessoas…e quando percebi haviam pessoas comigo novamente. E encontrei não só uma…mas muitas teorias pra essa vida: o namorado, a mãe, o pai, o irmão e as pessoas.

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Achei que te amava

Achei que te amava, mas tudo não era mais do que o jeito que a luz refletia no seu corpo. Quantas vezes nao fui enganada pela luz. Quantas vezes o escuro acaba me entregando a verdade. Robusto, alegre e forte…tomba, outra vez adormecido.

Há cerca de 3 anos, quando representava a nacionalidade Brasileira dos meus anos as obras que se iluminavam diante da luz distiquiam-se diante das minhas. E por isso achei que te amava.

No seu alto significado, me enjoou. Depois, na grande sala, aqueles de quem tanto me falam e que eu nao conheço ainda: me parecem pouco.

Eu, por mim, não sei qual será o destino desses que amei. Amanhã. Ou depois. Não me parece importante, mas se realmente eu souber, posso dizer que já sabia.

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Pudor infantil

Foto com biquinho. Check. Olhando pro espelho com a digital na mao. Check. Expondo a lingua. Check. Se maquiando ateh as unhas aos 9 anos. Check. 12? ah….vou tirar umas fotos de biquini entao.

Afastada de todo esse sentimentalismo lacrimoso das mulheres, garotas com idade pra estarem brincando na rua se fazem passar por adultas e falam de sexo. Talvez a falta do cunho social. Talvez a falta de mae pra dar conselhos. Talvez a falta do que fazer. Pois pra mim, eh a falta de imaginacao infantil e criatividade. Elas seguem uma lei chamada: unidas venceremos. Porem, unidas em algo bastante futil. Nao gostaria de levar isso a uma relacao mais profunda. Apenas retratar um pouco essa questao social, me tira o peso da agonia que meus olhos acabam de ver. Se repete com muitas garotas de mesma idade. E nao encontro mais a infancia estampada, porem fisicamente presente. Me lembro de Macabea de Clarice, e sua ingenuidade. Macabea nunca teve a oportunidade de ter uma outra perspectiva. Talvez poderiamos dar uma chance a ela se infiltrar nesse meio infantil do nosso seculo. O que seria de Macabea tadinha. So repetia o que ouvia dos outros, principalmente do radio relogio, que ensinava uma “cultura” inutil. Tinha que agir assim mesmo, porque ela era um ser excluido da sociedade, e esta, nao daria margem ao absurdo social que hoje encontramos.
Criancas deveriam ser margem para que fossem alguem na vida.

Quando lemos um livro, muitas vezes rimos dos personagens, choramos, sentimos…oramos. Gostaria que isso fosse um livro, talvez um livro moderno…que pudesse levar o titulo “Lolitas (plural) II” … tenho certeza que Nabokov ficaria encantado com a facilidade da internet. E faria dessas doces criaturas um classico.

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Mantenha..

Existem dias que parecem pesar com uma frequencia absurda. E a importancia que esses dias oferecem tbm absurda. As vezes penso nao valer a pena escrever tanto sobre a vida e ao escrever traduzir a mim mesma. Mas em uma conversa com Phil ontem, ele me diz que quando ele esta compondo, escrevendo ou tocando…o mais intimo e profundo de ser quem eh ele consegue tocar. E a verdade eh essa. por isso eu sofro. Sofro em tentar escrever tudo que quero e usar palavras apropriadas. Muitas vezes por pudor aquele que me le. Muitas vezes apenas por pudor a mim mesma. Me lembro que quando crianca, me sentava na velha padaria do meu pai e copiava desenhos em caixas de cereais. Podia passar horas, dias…desenhando caixas de cereais e tiras em quadrinhos. Eu tinha cinco anos. Mas o tempo passou, eu mudei, eu sofri…e conquistei. E hoje, continuo com as caixas de cereais na minha frente….mas nao as copio mais. Eu tento a minha propria. Mas ninguem nunca me disse que seria a tarefa mais dificil que poderia ter. Porem, a mais recompensadora de todas.

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Perdao.

O tabaco iniciado, apagado…e uma aflicao. A aflicao de todos os dias. Me lembro que aos 13 anos pedi aos meus pais por um terapeuta. Eles me olharam e com uma expressao de “oq mais me falta ouvir de vc?” soltaram um “Nao”. A teoria dos meus pais eh muito simples. Pra eles nao existe a cura atraves de um proximo e sim vem de si mesmo. Eles nao sabiam oq estava por vir. Mas acredito que sabiam oq estavam fazendo. Pois existem maes e pais, e amantes e criancas, todos com o objetivo de descobrir o melhor caminho de se viver. E o meu, eh claro, haveria de ter um terapista envolvido. Ou teria a sanidade comprometida. Ainda tenho…porem o terapista nunca esteve tao proximo. Antes de continuar com novas, deixo-os a pensam no terapista…e me acompanhem numa passagem pelo meu cenario que futuramente tera importancia: Um jantar, uma comida perfeitamente decorada aos mais tradicionais gostos argentinos e eu ali sentada, sem tirar os olhos do meu Lindo e a pensar…se isso poderia dar certo. Quantas vezes vcs mulheres nao saem pra jantar com um futuro pretendente e pensam “Nao vou me apaixonar. Nao vou me apaixonar…nao.” Mas se pegam de anel, vel e grinalda em menos de um ano. O salao esta mais alto que uma banda de rock nos anos 80, e pedimos uma taca de vinho Chardonnay pra contemplar a sonoridade ao fundo. Dois dias atras pedi um tempo. Um tempo pra mim, pra minha pinturas, pro meu eu. Ele respeitou mas ainda nao compreendeu. Acredito que oq se passa em minha mente agora…eh o tudo ou nada. Contei a ele meu desejo em me casar um dia, que nunca haveria de existir se nao o tivesse conhecido. Talvez o fizesse sentir importante, afinal vindo de mim algo parecido com a palavra magica “casamento” demonstra a insanidade tomando conta. Mas que nao estaria pronta, que talvez jamais seria…mas que nao perdesse a paciencia. Ele, Phil Dupertuis, eh o meu atual amante da vida…e provavelmente ultimo. Tenho vinte e um anos, sete meses e 20 dias de alegrias, lagrimas, amores, mais amores, e paixoes. Mas Phil…eh diferente, e me faz amar ateh mesmo qdo nao existe amor. Voltando aos anos 90 me lembro em ter um amigo invisivel aos olhos comuns. ..chamava-se “Lippe”. (nao me perguntem o pq…pois nao me recordo o motivo de ser do sexo oposto)..mas Lippe era a representacao ilustrativa das minhas vontades (inclusive reconheco a atracao por ambos sexos…acho sim Scarlet Johanson atraente, mas aindo prefiro ao meu Lindo). Nao pensem que sou homo..lesbia..lesbian..fratt..sapata – Nao. Talvez sim como artista aprendi a amar ambos. E a ver beleza em ambos. E pq nao, ser atraida por ambos. “Lippe” me ensinou a beijar pela primeira vez, a me conhecer…e a sonhar infindamente usando o melhor da minha capacidade em criar. Pois hj, beijar, conhecer e sonhar…eh a razao e consequencia de minha “Douce Vita”, o amor. Pausa para um “search” em wikipedia: A palavra amor (do latim amor) presta-se a multiplos significados na lingua. Pode significar misericordia, afeicao, compaixao, ou ainda, inclinaçao, atraçao, apetite, paixao, querer bem, satisfaçao, conquista, desejo, libido, etc Sócrates dizia que o amor era a única coisa que ele podia entender e falar com conhecimento de causa (ok Socrates…eu nao posso entender, nem falar com conhecimento, mas entendo a causa. Se pudesse ter um dia de morto…iria ateh Socrates pra entender) Amar. Um sentimento que muito teologos e filosofos jah procuraram explicar com palavras. Mas so quem sente sabe a dor e a magnificencia do amor. E uma palavra nao descreve. Nao define. Apenas alivia a dor, ou alimenta a felicidade. Pois eh, me considero uma romantica…ainda. Apesar de saber que amor nao vive de romantismo. Shakespeare estava enganado. Ninguem se mata por amor…mas sim pela falta do mesmo. Muito menos engana, ou promete o eterno. E como importa a profissao de carteiro, que pacifica muitos amores, ou afasta. Pode ate causar odio, e dor. Mas essencialmente comforto. O carteiro se retira, continuando suas casas, e numeros, e coracoes partidos.

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Todo dia

Eu nao quero viver sob a terrivel limitacao de apenas aquilo que faz sentido. E todo ser humano me faz lembrar disso.

Nem todos conseguem descrever em palavras aquilo que nao faz sentido. Eu mesma nao posso encontrar. Muitas vezes, eu tento. Mas quando a vida nao faz sentido pra muitos….as palavras muito menos. Se eu pudesse fazer dos meus amores a visao daquilo que eu espero da minha vida. Oh. manda me avisar.

Eu nao vivo sob a limitacao de apenas aquilo que faz sentido. Essa eh provavelmente a melhor descricao de mim mesma. Pode ser cruel, e pode ser eternidade. Mas tbm pode ser o maior prazer de tdos. Eu tenho a liberdade que sempre almejei. Tenho um homem que me entende ao meu lado, e uma homem que consegue descrever em palavras o ato de amar. Eu confesso nao ser uma mulher convencional e por isso pessoas nao se sentem seguros por mim. Porque ao mesmo tempo que tenho a facilidade em entender alguem…tenho a facilidade em entender a vida. E saber que nao eh nada disso que muitos vivem. Eh bobagem. Como tambem posso largar tudo. E recomecar. Jah fiz e faco quantas vezes forem possiveis. Mas nao mando avisar. Tambem sei que existem pessoas esperando de mim. Algo. Uma carinha linda de primas que me aguardam pra me dar um abraco. De um pai que ao tentar me entender se confunde, e uma mae que entende que nada precisa ser entendido. Apenas sentido. Eu fui cair de amor por um homem de uma cultura tao distante da minha, mas um homem que entende a minha alma. Como posso deixar tudo isso?…Eu nao posso. Porque minha alma esta sendo entendida. Quando eu pude ver que era isso que me fez ficar. Eu fiquei.

pencil

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Por entre paredes

Ele me encanta cada vez mais, e o mais agradavel nisso e que, atraves dele, eu gosto mais de mim mesma. Me fazendo ausente de toda parte. Quando a certo ponto acreditei que viver por amor eh mentir….ele me fez pensar que os principios…nada tem contra a mentira. O amor entre um homem e uma mulher eh praticamente esgotante fabricar. Eu posso ter renunciado as viagens, as distracoes, abandonei meus amigos e deixei as docuras do lar para ficar comigo mesma…mas nao poderia viver unicamente de felicidade sem amor, nao poderia renunciar a escrever e trabalhar no unico lugar do mundo onde minha arte e meu trabalho tem um sentido.me

Apos deixar de pertencer a um lugar sem posses, eu vivo anos de extrema ligacao com a humanidade. Minhas posses sao meus sentimentos. As minhas fraquezas sao sempre ressaltadas e as minhas forcas….recalcadas. Quando penso em Salto…o pequeno grupo e fieis que ali se encontravam quotidianamente nao pertencia nem inteiramente a boemia nem a burguesia….viviam de vagas rendas, de expedientes e de esperanca. E assim se encontram. Esgotados pela falta de preenchimento do tempo. Gosto de relembrar de coisas no papel pois assim elas se tornam reais. Como uma carta a um amigo. Ou uma fotografia estampada na parede do banheiro. E hoje, elas sao reais. E eu nao sinto que tenho que preencher o tempo…mas que o tempo me preenche.

Uma viagem, eh como uma aventura pessoal. Uma mudanca vivida com minhas relacoes com o mundo…eu sou invadida por uma quantidade de desejos que tenho pressa em satisfazer. E talvez essa nao seja a primeira ou ultima vez que amo algo…mas a primeira que amo a mim mesma.

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The end is near

Bebo cafe e ouco meu Bob cantar. As vezes me imagino ao lado de Dylan e penso como bom seria ter um ser humano como ele…palavras que soam mais como poemas do que apenas palavras. Mas ao pensar bem, eu tenho pessoas como Dylan por perto…e ao me dar conta…penso como tenho sorte nessa vida. Phil, Katie, Reva…Melissa…pai, mae, avos….Nathan…Kelly Foster….pessoas entre outraS que me fazem parar por um momento e refazer minha vida. Todos os dias. Todos os momentos de duvida. De desespero. De colapso intelectual. Momentos em que uma palavra nao pode ser apenas uma palavra…mas um poema. Um poema de muitas letras. Um poema que faz da vida uma delicia…nao um martirio. Um poema que faz da vida…a minha melhor arte.

Feliz Ano Novo!

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