Janeiro 12, 2009 • 8:39 pm
Ele me encanta cada vez mais, e o mais agradavel nisso e que, atraves dele, eu gosto mais de mim mesma. Me fazendo ausente de toda parte. Quando a certo ponto acreditei que viver por amor eh mentir….ele me fez pensar que os principios…nada tem contra a mentira. O amor entre um homem e uma mulher eh praticamente esgotante fabricar. Eu posso ter renunciado as viagens, as distracoes, abandonei meus amigos e deixei as docuras do lar para ficar comigo mesma…mas nao poderia viver unicamente de felicidade sem amor, nao poderia renunciar a escrever e trabalhar no unico lugar do mundo onde minha arte e meu trabalho tem um sentido.
Apos deixar de pertencer a um lugar sem posses, eu vivo anos de extrema ligacao com a humanidade. Minhas posses sao meus sentimentos. As minhas fraquezas sao sempre ressaltadas e as minhas forcas….recalcadas. Quando penso em Salto…o pequeno grupo e fieis que ali se encontravam quotidianamente nao pertencia nem inteiramente a boemia nem a burguesia….viviam de vagas rendas, de expedientes e de esperanca. E assim se encontram. Esgotados pela falta de preenchimento do tempo. Gosto de relembrar de coisas no papel pois assim elas se tornam reais. Como uma carta a um amigo. Ou uma fotografia estampada na parede do banheiro. E hoje, elas sao reais. E eu nao sinto que tenho que preencher o tempo…mas que o tempo me preenche.
Uma viagem, eh como uma aventura pessoal. Uma mudanca vivida com minhas relacoes com o mundo…eu sou invadida por uma quantidade de desejos que tenho pressa em satisfazer. E talvez essa nao seja a primeira ou ultima vez que amo algo…mas a primeira que amo a mim mesma.
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Dezembro 16, 2008 • 10:50 pm
Fiz minha primeira compra de Natal hoje. Phil vai ganhar um livro escrito pelo meu querido autor brasileiro Jose Saramago. Desde que lancaram o filme “A cegueira”, fiquei chocada com a pobreza do filme, e resolvi mostrar pra ele que Saramago eh mto melhor. O livre em si eh magnifico. Por isso, esta feito. Outros presentes feitos a mao serao enviados. Outros encontrados. Essa pequena mesa de xadrez feita no sec40…madeira cravada a mao. Hoje tambem fui pro trabalho de bicicleta, porque finalmente o frio cessou um pouco, e pedalei de salto alto. Nunce pensei que fosse possivel fisicamente ou por pura coragem…mas fiz. Esta feito. Sem acidentes. Sem problemas. De agora em diante ando de bicicleta de salto alto. Como as meninas de Paris. Se elas podem, eu tbm posso.
Meu celular esta um lixo. Se a bateria nao acaba, eu perco contato. Enfim, pai e mae…me perdoem pela falha….ou quem quer que seja….vou arrumar um jeito de consertar esse treco (que por sinal nao eh nada de mais…nao tira fotos..apenas liga…oq eh essencial). mas bendita seja a tecnologia..i-phones estao na minha lista pro ano que vem.
Minha lista de Natal nao foi feita. Estou apenas adquirindo oq encontro. Nao faco a menor ideia do que me aguarda na California. Nao faco a menor ideia do que me aguarda nos proximos ultimos dias do ano. Mas me sinto feliz por ter acumulado tantas pessoas lindas a minha volta. Era isso…
nada mais a declarar. Apenas fatos por hoje.
Ah, estou ouvindo muito Rufus Wainwright…pra quem se interessa por musica boa.
E descobri uma nova banda brasileira que tocou aqui em Boston…chamada Kassim+2. Formada pelo filho de Caetano Veloso e amigos. O show deles me agradou muito. Merecem destaque no blog.
love. e bom Natal!
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Novembro 12, 2008 • 8:49 pm
Hoje eh um dia daqueles. O dia em que acordei com a impressao de um vazio. A impressao de procurar nas entrelinhas a manifestacao de uma resposta. As vezes me encontro na procura de uma razao. Na procura de uma cura pra minha saudade. Na procura de uma cura pra minha saudade. Saudade eh como a fome. So passa quando se alimenta. Essa vontade de nos unirmos um ao outro eh um dos sentimentos mais urgentes da vida. Saudade tambem eh um dos sentimentos mais dificeis que se tem na vida. So se cura a saudade quando a matamos. E dificilmente eu mato um sentimento. Talvez eu seja egoista para com eles,
procuro mante-los todos juntos…a fim de compara-los e entende-los. Ainda nao compreendo muitos sentimentos….mas eu compreendo a saudade. Alias, eh o que eu mais compreendo. Alem do amor.
As vezes me sinto miseravelmente atormentada pela aflicao desses sentimentos, mas ao mesmo tempo os mesmos me fazem olhar pra vida de uma maneira grandiosa. Estar viva eh sensacional…e se existe alguem nesse mundo a quem devo minha vida eh a minha belissima mae!. E hoje, tudo isso e algo mais vem a mente por ser o aniversario dessa mulher grandiosa. Uma mulher que ao realizar…sonha, uma mulher que ao sacrificar…perdoa, uma mulher que ao entender…ama.
Uma mulher que admiro, e que se um dia eu chegar a ser um terco de tudo que es….posso ter a certeza de ter me realizado como ser humano. Porque voce mae…ja conseguiu…conseguiu aquilo que muitos procuram…procuram..e nunca encontram….ser humana!
A voce mama……um dia lindo, um dia rodeado por pessoas que a amam….um abraco de saudades.
Amo Voce. Amo muito.
sua filha.
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Setembro 28, 2008 • 4:01 pm
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Setembro 12, 2008 • 3:02 pm
Setembro 5, 2008 • 11:47 pm
Agosto 15, 2008 • 12:15 am
[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.
Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”
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Agosto 10, 2008 • 2:54 pm
Dia dos Pais. Domingo….acordei cedo pra assistir o jogo do Brazil nas Olimpiadas…eh o unico momento “brasileiro” que vivo nessa terra. E Phil estava comigo. Ele adora futebol…e eh claro…nao reclamo. Brazil ganhou de 5×0 contra Nova Zelandia. Bem…afinal..era Nova Zelandia!
Apos o jogo…Phil comecou a preparar meu cafe da manha, e eu liguei pro meu paizao! E eh por isso, que me sento nesse computador nesse momento pra escrever. Meu pai merece esse blog. Alias, merece alem do que eu posso oferecer agora. E a ele….eu vivo e sinto o meu dia passar.
Meu pai eh um ser humano peculiar. Um pouco excentrico. E admira boa arte. Ele tambem eh um pensador…que por esse motivo…sofre com a falta de escrupulos no mundo. Ele sofre em ver ignorancia, falsidade…hipocrisia. Existem pessoas que sofrem de fome, de tristeza, de pobreza, de solidao…ele sofre por amor ao ser humano. ..Chegava a acordar duas.,..tres horas da madrugada soh pra atender uma ligacao de estranhos pedindo socorro…no meio da madrugada. Esses foram os anos em que trabalhava como assistente da sociedade…e esse eh o papel que ocupa ateh hj. E eternamente. Ele se desincumbia desse bom trabalho com a maior devocao … e me ensinou a fazer o mesmo. Porque mesmo sofrendo…ele eh feliz em mover uma peca sequer de um quebra-cabeca…ele eh feliz em poder ter saude e ajudar. Sem pedir nada em troca.
Um tema central da filosofia de Nietzsche diz que devemos reavaliar nossos valores..de todos os valores…ele questiona pessoas pela sua moral, posicao e sentidos. Especialmente moralidade crista, tao duvidosa nos dias de hoje. Meu pai….foi meu Nietzsche quando crescia e me encantava com o mundo a minha volta…me fez questionar desde pequena os meus valores, as minhas acoes, os meus erros e acertos….que tipo de vida eu estou vivendo?! Foi assim e continua sendo assim que eu vivo…me questionando…e mesmo estando tao distante desse pai de valores eu sinto ele do meu lado…me fazendo questionar. Se todos tivessem pais como o meu, que realizam e vivem de respostas morais pra vida : “Pois se esta vivo que raio faz com tamanho poder que eh o da vida? E de quem eh a culpa se o estupor nao compreende isso?”… ele diz.
Hoje, vivo a milhares de milhas distante, por uma escolha, claro, tudo eh uma escolha…e se me perguntam o porque…afinal, porque deixar tudo, e um ser humano como meu pai…e minha mae…e meu irmao que um dia tbm sera pai, seres humanos que me emocionam de tanto valor,….a resposta eu ainda nao tenho….mas me questiono todos os dias de minha vida.
Amo vc meu pai. E o respeito e o admiro como ninguem mais. Obrigada meu lindao!
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Agosto 6, 2008 • 11:58 am
Como garota em terra natal mantive um segredo, nao tao parecido como os segredos de todos. Que acabam sendo revelados com a morte.

E a morte por si, levam os mortos a descobrirem os segredos dos demais.
O avo descobriu este segredo. E entendi que isso era pra acontecer.
Os Beatles ja nao tao vivos como antes de certa forma ainda deixam
muitos casais in love com “She loves you”. Ou aos prantos com
“Yesterday”. Vovo eh meu John Lennon. Desde que me refira a memorias
nunca esquecidas. .
O carteiro atravessa a serena vizinhanca de Davis Square, a casa em
que moro tem tres andares e esta de frente a um casarao onde duas
lesbicas viraram marido e mulher, dois gatos, um cachorro e cada qual
com um carro na garagem. Na sacada, Mr. Carteiro me observa com os
olhos vazios perdidos na fumaca. Ele olha. Nao me afeto ateh o momento
da ultima melodia em “Hey Jude”.
Ok. Nem ao menos uma carta sequer. Todos os dias aguardo uma carta de
alguem distante. Nunca que chegam. Nunca que escrevem. Nao
entendo…mas me conformo e volto a visualizar a fumaca. O que mais me
fascina naquele exato momento de solitude. Acabo achando embaracoso
falar como amo uma boa palavra. Como a primeira que lemos aos 5 anos.
Ou a ultima..aos 85. Acho irrelevante e vulgar falar o quanto amo
Lindo. Me faz sentir revelada. Se existe algo que me apazigua eh o
medo de entrar com tudo. De ser espoxta – nao em termos de se expor a
pessoas ou pensar oq vao dizer – mas de revelar a mim mesma o quanto
me importo. Que me importo profundamente. Que tudo, faz toda a
diferenca.
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